STF dispõe de laboratório de restauração para preservar acervo da Corte

Com milhares de livros e documentos históricos em seu acervo, o Supremo Tribunal Federal (STF) investe cada vez mais em conservação para assegurar vida mais longa a essas obras. São mais de 5 mil exemplares e cerca de 2 mil obras raras que precisam ser armazenadas em condições adequadas tanto para que não sofram degradação ou, no caso das que estão em risco, para que o processo seja revertido.

Nesta sexta-feira (29), o presidente do STF, ministro Ricardo Lewandowski, visitou o Laboratório de Restauração, mantido pela Secretaria de Documentação do STF, responsável pela implementação de medidas estratégicas para a preservação do acervo. Entre essas medidas estão a higienização contínua do Arquivo e da Biblioteca Ministro Victor Nunes Leal e a climatização de ambientes e acondicionamento apropriado de documentos, para preservar o material de possíveis danos ou desacelerar o processo de degradação. “Esse trabalho é de suma importância para a preservação da memória do Tribunal”, ressaltou o presidente.

Quando se trata de restauração, a demanda do laboratório é definida por critérios técnicos, documentos com maior risco recebem tratamento prioritário. A maior atenção é dada aos processos manuscritos. Isso se explica pelas características do papel e tintas utilizadas no passado, que aceleram o grau de degradação. Para substituir as tintas para escrita utilizadas até a Idade Média, que se apagavam com o tempo, foram desenvolvidas as tintas ferrogálicas, às quais eram adicionados metais ferrosos, que duram muito mais. Entretanto, dependendo do tipo do papel e das condições de preservação, ocorre uma reação que corrói a celulose. 

Cerca de 60% do material restaurado é referente a processos históricos, 30% de obras e raras e 10% de documentos e peças do Museu do STF. A classificação é semelhante à de pacientes em hospitais: risco grave, médio ou pequeno. Os documentos que chegam são registrados, diagnosticados, fotografados e só então é escolhido o método de tratamento, que pode ser a seco ou molhado. No último caso se encontram livros com maior risco, o que exige a limpeza com uma solução que estabilize o pH do papel e interrompa o processo de degradação.

Entre os processos mais comuns estão o preenchimento de pequenas perfurações em páginas de obras raras e a higienização e reencadernação de livros. No laboratório são confeccionadas cerca de 300 folhas de papel por mês, sempre na cor e gramatura o mais próximo possível do material a ser restaurado.

O ministro Lewandowski também visitou a Seção de Encadernação, responsável pela confecção de serviços de cartonagem, como caixas, urnas, porta-medalhas, displays e pastas. A seção também prepara suprimentos de expediente de uso do Tribunal, como blocos personalizados, cartões de visita, plastificação de documentos e o reaproveitamento de papéis impressos para a confecção de blocos.

PR/EH

Postado originalmente no portal do Supremo Tribunal Federal

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